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06 Nov. 2023

120 anos do nascimento da escultora Ana de Gonta Colaço celebrados com colóquio internacional

Numa organização conjunta da Câmara Municipal de Tondela e da Junta de Freguesia de Parada de Gonta, vai realizar-se no próximo sábado (dia 11 de novembro) um colóquio internacional dedicado à escultora Ana de Gonta Colaço, a propósito dos 120 anos da artista, que é uma figura incontornável da época modernista em Portugal.

Este é o primeiro evento desta natureza dedicado a Ana de Gonta Colaço, neta do escritor e político natural do concelho tondelense Tomaz Ribeiro, a realizar-se em Tondela. Mas já em 2018, com vista à recuperação da memória da artista, decorreu no Museu Municipal Terra de Besteiros a exposição “Ana de Gonta Colaço, Escultora” com a curadoria de Ana Pérez-Quiroga, tendo ainda sido publicado na altura um catálogo dessa mostra.

O colóquio “Ana de Gonta Colaço (1903-1954): 120 anos” vai ter lugar no Pavilhão Multiusos de Parada de Gonta, a partir das 09h30, com entrada livre. O programa inclui a presença de um nome internacional, Anna Klobucka, professora da Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos da América, e de outros estudiosos, como Ana Pérez-Quiroga ou Isabel Lousada, que têm um percurso internacional robusto na sua atividade académica ou artística.

Programa
A abertura da iniciativa decorrerá pelas 10h00, estando a cargo da presidente da Câmara de Tondela, Carla Antunes Borges, do vice-presidente da autarquia, João Carlos Figueiredo, e da presidente da Junta de Freguesia de Parada de Gonta, Sandra Almeida Santos.

Os trabalhos iniciam-se pelas 11h00, com a primeira sessão que terá como oradoras, entre outras, Ana Pérez-Quiroga (CHAIA/FCT, Universidade de Évora), que abordará o tema “Ana de Gonta Colaço, escultora”. Por seu lado, Anna M. Klobucka (University of Massachusetts Dartmouth) falará sobre “Os lugares de Ana de Gonta Colaço” e Susana Mendes Silva (Universidade de Évora/CEIS20, Universidade de Coimbra) focará a sua intervenção na temática “Uma rua para a Ana: Conferência performativa”.

Para as 12h15 foi marcado o descerramento, por parte das presidentes da Câmara de Tondela e da Junta de Parada de Gonta, de uma placa de inauguração na Casa das Matinas.

Segue-se uma pausa para o almoço, com os trabalhos a serem retomados pelas 14h30 para a realização da segunda sessão, que terá como palestrantes Luís Peres Pereira (Presidente da ADEPA-Alcobaça), Isabel Lousada (CISC.NOVA) e Jorge Pereira de Sampaio (Academia Portuguesa da História), cujas intervenções serão dedicadas à temática “Diálogos intergeracionais no seio da intelectualidade portuguesa: Branca de Gonta Colaço e sua filha Ana”.

Logo depois Sílvia Figueiredo (professora) fará uma leitura de poemas de Ana e Branca de Gonta Colaço.

Inês Borges (GEMA-CEAACP, Universidade de Coimbra) falará sobre “Ana de Gonta Colaço e o poeta Rodrigo de Melo: alterações ao design visual de livros afetos ao pensamento salazarista e a organismos do Estado Novo” e Mafalda Ferro da (Fundação António Quadros) abordará o tema “Como a vida era boa então, como se divertiam”.

Após uma pausa de quinze minutos para o café arrancará a terceira sessão, que abrirá com Beatriz Albuquerque (CI-ISCE DOURO, CITAR, UC e UTAD) que efetuará um “Tributo a Ana de Gonta Colaço: Um ensaio visual”. Já Tomaz Colaço (Artista Visual) centrará a sua intervenção na temática “As Aninhas, as sopinhas de leite e outras breves historietas caseiras: Parada de amor/Amor a Parada, Tânger, tudo e nada”.

Às 17h00 haverá teatro de rua e encenação do poema “Sou velha” de Ana de Gonta Colaço pela Associação Os Amigos de Parada de Gonta. O Grupo de Cantares Tomás Ribeiro atua meia hora depois, já na sede da Associação Os Amigos de Parada de Gonta.

Pelas 18h15 arrancam as atividades relativas ao aniversário desta coletividade, que incluem um magusto-convívio.

Quem foi a artista?
Ana de Gonta Colaço foi uma figura única na época modernista em Portugal. A memória histórica do protagonismo intelectual, artístico e literário das mulheres nas primeiras décadas do século XX tem sido apagada e só recentemente começou a ser recuperada de forma mais abrangente e sistemática.

Ana de Gonta Colaço destacou-se como escultora, ramo de arte tradicionalmente considerado impróprio para mulheres, por oposição à pintura, ilustração ou artes decorativas, tendo produzido um elevado número de obras, e como um ícone da modernidade no feminino, tendo em conta a sua imagem e forma de vestir.

Tanto Ana de Gonta Colaço como os seu pais, Branca de Gonta Colaço e Jorge Colaço, assim como o seu irmão Tomás Ribeiro Colaço, foram figuras destacadas no panorama artístico, literário e/ou jornalístico da época, e a sua ligação material e afetiva com Parada de Gonta estimulou a projeção das referências a esta terra, que foi tão importante para a família a nível nacional e mesmo internacional.

A artista radicou-se em Parada de Gonta a seguir à morte da sua mãe em 1945, criando laços ainda mais fortes com a localidade. A escultora participou ativamente na vida cultural, a partir dos jornais “Ecos da Serra” e “Folha de Tondela” e no apoio social direto. Alguns habitantes de Parada de Gonta ainda guardam dela várias recordações.

Ana de Gonta Colaço teve como sua última vontade doar a sua obra escultórica e o restante espólio à Biblioteca Tomaz Ribeiro, em Tondela.

 

 

 

 

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